domingo, 1 de julho de 2018

Melyra: lançado "Dead Light", primeiro single do novo album

[Matéria originalmente publicada em Whiplash.net]



A banda Melyra está prestes a lançar seu novo trabalho de estúdio. "Saving you from reality" está finalizado e deverá ser lançado nesse segundo semestre de 2018. E para mostrar o que vem por aí a banda acaba de lançar na rede "Dead light", primeiro single do novo trabalho.


Com 5 anos de estrada, a banda carioca inicia um novo ciclo mostrando um som ainda mais pesado, com riffs marcantes e letras fortes. O trabalho é o primeiro full da banda, que lançou em 2014 o Ep "Cach me if you can" e tem outras passagens marcantes na carreira, como a participação na faixa "Living and drifting' do tributo ao cantor Edu Falasch "A new lease of life: 25th anniversary tribute", além da abertura do show de 2014 da banda Arch Enemy no Rio de Janeiro. "Saving you from reality" marca também a estréia de Verônica Vox nos vocais da banda em estúdio.






terça-feira, 28 de novembro de 2017

Nina Simone e sua fantástica voz





Vamos de Música com Nina Simone... Dona de uma voz incomparável, timbre emocionante, Nina, Batizada Eunice Kathleen Waymon, foi historicamente rejeitada em algumas escolas de música, sendo aceita anos mais tarde na Julliard de NY, sendo inclusive, umas das primeiras cantoras negras a ingressarem na respectiva escola; se destacou na luta contra o racismo, sua canção “Mississippi Goddamn” tornou-se um hino ativista da causa negra. Nina foi, e é pra mim, uma das maiores cantoras, pianistas e compositoras de blues do últimos tempos!! Vale a pena tirar uns momentos e viajar nas canções dela!



A voz de Nina ressoando na madrugada é como um veludo grosso protegendo a pele do frio do inverno, numa intencionalidade de chamar pra neve e sair brincando,... não tem igual, essa é uma das sensações que sinto ao ouvir Nina, seja numa música mais agitada, com o piano mais grave, seja nas músicas mais suaves em que a voz dela pontua como o instrumento primordial.

Ouve-se Nina, e esse “ouve-se”, chama o forte clamor contra a segregação e o racismo, sua música denota plena igualdade revestida em talento, num mundo que apenas classifica, ela torna-se um clássico, não só com “Mississippi Goddamn”, mas também com “Feelin’Good”. O ribombar dos pianos clamam por sua voz forte, firme, concisa, por seu timbre marcante, pela alva delicadeza do todo quando se juntam, pois torna-se tão agradável,  que é fácil imaginar-se dançando ou simplesmente sentar  no sofá e se deliciar com a música, com o vasto cardápio de suas obras. Nina tinha uma voz tão pregada a sua realidade quanto os seus sentimentos, e eu ouço isso em sua música, e pra mim é como me apaixonar novamente por ela, a voz dela não foi trancada em poucos clássicos mirrados, ela estava acima dessa nova onda do hit que “bomba” e logo é esquecido, sua voz e sua música passeiam na “Champs- Élysées” do Blues. Todas as vezes que a ouço, tenho ímpetos de pedir que “Deus abençoe a América”, com Nina Simone a referência é certa. 





Análise "músico-sensorial", com o cumprimentos de Juliane Schimel, sempre a seu dispôr! 

terça-feira, 16 de maio de 2017

Análise musical: Blackstar - A Obra Genialmente Definhante de David Bowie


Por Juliane Schimel

Matéria originalmente postada no 



Olá, o que fiz, não se trata de uma crítica ao álbum, ao último trabalho de David Bowie, mas sim uma análise pessoal do que senti ouvindo, lendo e assistindo aos clipes do álbum Blackstar. Eu esmiúcei cada música e fiz questão de escrever sobre elas enquanto as ouvia. David era brilhante, transcendente, de um talento ímpar, um artista sem igual, e sua última obra ficará no meu coração pra me lembrar a beleza do que eu tenho e da finitude de tudo, que também pode ser um ato belo.


Blackstar é uma canção pesada, deixa o coração pesado e com medo daquela hora derradeira. Obviamente, era a intenção do Bowie com certeza, que sua morte fosse um advento marcante. Assistindo ao clipe, existe toda uma irônia com o divino e com o humano, do quanto somos sucetíveis, finitos, ingênuos. A qualidade sonora no entanto, é arrebatadora, a música acelera seu coração, enquanto a letra te puxa pra baixo, pra uma reflexão talvez, uma agonia, uma dor. No clipe ele aparece com uma venda nos olhos, e nessa venda tem pregados uns botões, como se a nos deixar interpretar, que ele queria terminar a vida, sem olhar a realidade, talvez da doença. Ou talvez fosse difícil pra ele se enxergar doente.

'Tis a Pity She Was a Whore transmite a mesma sensação de medo que puxa pra baixo, mas eu repito, a qualidade da composição sonora é instigante e linda, intensa, é fruto de alguém na sua melhor forma, dando o melhor de si. Nesta música é como se ele acabasse de descobrir seu destino e profundamente magoado, roubado, xinga a vida, ela lhe deu muitos prazeres, mas no final ela lhe roubou, relegando ele a morte.

O início da música Lazarus, me lembra o início da música "Magic" do Cold Play. Novamente no clipe, o Bowie aparece com uma venda nos olhos e no lugar do que seria os olhos, pregados uns botões, o que ele não quer ver? Ele não quer ver a própria morte, que está perto, a espreita. No clipe ele está contando, através da letra a sua história, e o desejo intrínseco de se libertar de um corpo limitado, pra viver em liberdade "como aquele pássaro azul", ao mesmo tempo em que ele quer dizer "olha, ainda tenho muito pra fazer, deixe- me anotar pra não esquecer", e ao final, ele se encerra num armário como a dizer que não deu tempo, ele teve que ir. Eu to muito mexida com a melodia dessas músicas, é uma sensação de terror, é inebriante, mas ao mesmo tempo, genial e brilhantemente linda. Ele deveria ingerir bastante morfina.

Sue (Or In a Season Of Crime), David Bowie estava compremetido com a morte até os seus ossos. Em  mais uma melodia arrebatadora, a guitarra te leva pro fundo da alma dele, onde o medo da perda de si mesmo, escala as paredes da compreensibilidade. Quando se encara a morte, se encara o medo de deixar o mundo, as pessoas que amamos, mas fica principalmente a dúvida se com a morte, perderemos a nós mesmos.

Girl Loves Me, provavelmente são lembranças da juventude dele, arrependimentos e uma sensação de querer reviver o passado aproveitando mais do que se teve. A melodia vai te puxar pro fundo do barco em todas as músicas e até o fim do álbum, e você vai ser convidado a olhar a transparente realidade da finitude, dentro de si, é uma conversa interna, no lugar mais escuro e profundo de nós.

Dollar Days, é até agora, pra mim, a letra mais triste, por falar de esquecimento, de como somos esquecidos quando estamos em dificuldades. No "Dollar Days", existe honra, sexo para "sobreviver", e cash girls, mas quando se está na beira de qualquer abismo e caindo, o que dá a impressão é que as pessoas se contentam em assistir de longe, talvez ligando para dar condolências. A influência é esquecida "We bitches tear our magazines", só tem o esquecimento e a pessoa tentando lidar com a correnteza do que acontece. Talvez flutuando de costas na água corrente. E a melodia puxando praquela conversa íntima, num lugar escuro.

I Can't Give Everything Away é o clipe mais light, mas a melodia vem seguindo ladeira a baixo de forma brilhante, fazendo uma clara alusão a Ziggy Stardust, e as suas outras personas, ao legado de influências que ele deixou. A letra diz "eu não posso te dar tudo até o fim", e na verdade é um questionamento, do que ele já deu, e do que ele vai deixar, é uma afirmação de que o mundo está indo pra um caminho onde "With blackout hearts with flowered news", considero também como uma crítica velada aos "novos", artistas do pop, que não se importam em serem influências, eles se importam apenas em terem seus "hits", no topo das paradas, com letras de músicas que não dizem nada, com acordes sem sentido, sem história, sem sentimentos, que foi o que David deu ao mundo, letra e música com sentimento e beleza, e claro, ele não deixou escapar uma a crítica a moda, bem velada, que veio de uma "conversa" com a música anterior, "We bitches tear our magazines",  "With skull designs upon my shoes" nesta música, uma crítica velada, talvez inocente, da moda que ele tanto influênciou em vida e que não lhe serviu na hora da morte. Contudo, ele conseguiu deixar seu legado, e mesmo no pós morte, sua incrível obra, faz todo sentido.

Recomendo ouvir o álbum, inclusive a próxima postagem vai conter o álbum que puxei do YouTube.


Onde estiver, descanse em paz. 

Ouça abaixo o album completo:







quarta-feira, 8 de março de 2017

Nine Lives (1997) – Aerosmith


Por Daniel Accioly

[Matéria postada originalmente no Minuto Música]

O Aerosmith é uma banda que goza de um status raro. Não é exagero dizer que não se trata de uma banda, e sim de uma instituição, como poucas outras. Depois de mais de 20 anos de carreira, o que esperar de uma banda que, além da longevidade, enfrentou diversos problemas pelo caminho? Mas os anos 90 prometiam para o quinteto.
Em 1994, o grupo lança o álbum “Get A Grip”, com baladas que ficaram na memória dos fãs para sempre, como “Crazy” e “Cryin”. Mas o que viria depois sim, seria uma obra prima. Em 1997, o grupo lança “Nine Lives”, 12º álbum de estúdio. Mas o processo não foi fácil. O produtor do grupo, Tim Collins, foi demitido no processo. Além disso, a capa original (artigo de colecionador nos dias de hoje) precisou ser substituída em função de protestos gerados pela comunidade Hare Krishna, já que a arte foi baseada na imagem de deusa cultudada pelos mesmos. Mas nem esses problemas derrubaram a obra.

O disco vendeu cerca de 3 milhões de cópias em todo o mundo, foi indicado o Grammy Awards de melhor Álbum de Rock e teve sucessos nas rádios como “Falling in Love (Is Hard on the Knees)”, “Hole in My Soul”, “Full Circle” e “Pink”. Nine Lives é um álbum que mescla muito bem pedradas e baladas da melhor qualidade e é considerado por muitos fãs como a Obra-Prima do Aerosmith.

Ouça na íntegra o álbum Nine Lives clicando AQUI ou AQUI (se o primeiro link cair).


Tracklist
1. “Nine Lives” (Steven Tyler, Joe Perry, Marti Frederiksen) – 4:01
2. “Falling in Love (Is Hard on the Knees)” (Tyler, Perry, Glen Ballard) – 3:26
3. “Hole in My Soul” (Tyler, Perry, Desmond Child) – 6:10
4. “Taste of India” (Tyler, Perry, Ballard) – 5:53
5. “Full Circle” (Tyler, Taylor Rhodes) – 5:01
6. “Something’s Gotta Give” (Tyler, Perry, Frederiksen) – 3:37
7. “Ain’t That a Bitch” (Tyler, Perry, Child) – 5:25
8. “The Farm” (Tyler, Perry, Mark Hudson, Steve Dudas) – 4:27
9. “Crash” (Tyler, Perry, Hudson, Dominik Miller) – 4:26
10. “Kiss Your Past Good-Bye” (Tyler, Hudson) – 4:32
11. “Pink” (Tyler, Richard Supa, Ballard) – 3:55
12. “Falling Off” (Tyler, Perry, Frederiksen) – 3:02
13. “Attitude Adjustment” (Tyler, Perry, Frederiksen) – 3:45
14. “Fallen Angels” (Tyler, Perry, Supa) – 8:18

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Silverchair: 22 anos do nascimento grunge da banda


Por Daniel Accioly

[Matéria postada originalmente no Whiplash]

O movimento Grunge teve o seu auge na transição das décadas de 80 e 90. Oriundo de Seattle, a vertente musical teve sua raiz em bandas como Sonic Youth e Mudhoney e se popularizou de vez com o Nirvana, que foi certamente a maior banda do movimento, e outras como o Pearl Jam, Soundgarden e Alice In Chains, que pegaram jacaré nessa imensa onda. Mas a onda que engoliu o meio musical e trouxe sobrevida para o rock em um momento onde ele parecia estar morto sofreu um grande revés com a morte prematura de Kurt Cobain, em 1994. As bandas da época precisaram se reinventar ao longo do tempo e dizer ser Grunge não soava mais como algo inovador, mas talvez como algo instável, desequilibrado. As grandes bandas foram em frente, e alguns filhotes do movimento nasceram. Foi o caso do Silverchair, que lançou seu primeiro trabalho em 1995, um ano após o grande baque no movimento.

A banda de escola australiana, formada pelos adolescentes Daniel Johns (vocal e guitarra), Chris Joannou (baixo), Ben Gillies (bateria) e Tobbin Finnane (guitarra – o músico saiu antes da banda alcançar o sucesso) bebia com sede na fonte criada pelas bandas de Seattle, degustando ainda clássicos ingleses como Black Sabbath e Led Zeppelin. A sonoridade era bem próxima à do Nirvana, mas em alguns momentos lembrava Pearl Jam. E no fatídico ano de 1994, a banda saiu do anonimato. A rádio Triple J estava promovendo, um concurso de nível nacional chamado Pick Me: as bandas, para concorrer, teriam que enviar uma música gravada. O ganhador do concurso teria direito a execução desta música escolhida por algumas semanas, em âmbito nacional. O trio então, com o nome de Innocent Criminals, arriscou e enviou “Tomorrow” e surpreendentemente venceu outras 800 bandas. A música tocou por seis semanas e figurou nas paradas nacionais por todo esse tempo. Um prato cheio para qualquer gravadora antenada.

Imagem
E uma delas deu o bote certeiro. A Murmur (braço da Sony Music) apostou e ofereceu à banda (já rebatizado como Silverchair) a oportunidade de gravar um EP, com “Tomorrow” como faixa principal. Outras três músicas foram lançadas neste EP: “Acid Rain” (que muitos enxergam ter nascido de uma costela de “Even Flow”, do Pearl Jam), “Blind” e “Stoned“. O material ficou tão bom e circulou com tanta fluidez pelos jovens australianos que um disco full era mais que natural. Em 1995 então foi lancado Frogstomp, primeiro disco da banda. O trabalho contou com 11 músicas com timbres semelhantes e crus, referências bem evidentes (como a semelhança de “Leave Me Out” com “Sweet Leaf” do Black Sabbath), mas além de se compreender esses referenciais (a banda tinha média de 15 anos de idade), é necessário enaltecer a originalidade como um todo do trabalho, que revelou músicas tocadas pelo trio até a sua pausa (anunciada em 2011 e sem o menor indício de interrupção) como “Pure Massacre” e “Israel`s Son”. O trio, assim como as outras bandas do período, foi mudando o estilo e criando uma outra identidade, mas Frogstomp ficou marcado como um trabalho icônico.


Ouça abaixo o álbum Frogstomp na íntegra:




1 - "Israel's Son"
2 - "Tomorrow"
3 - "Faultline"
4 - "Pure Massacre"
5 - "Shade"
6 - "Leave Me Out"
7 - "Suicidal Dream"
8 - "Madman"
9 - "Undecided"
10 - "Cicada"
11 - "Findaway"