terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Silverchair: 22 anos do nascimento grunge da banda


Por Daniel Accioly

[Matéria postada originalmente no Whiplash]

O movimento Grunge teve o seu auge na transição das décadas de 80 e 90. Oriundo de Seattle, a vertente musical teve sua raiz em bandas como Sonic Youth e Mudhoney e se popularizou de vez com o Nirvana, que foi certamente a maior banda do movimento, e outras como o Pearl Jam, Soundgarden e Alice In Chains, que pegaram jacaré nessa imensa onda. Mas a onda que engoliu o meio musical e trouxe sobrevida para o rock em um momento onde ele parecia estar morto sofreu um grande revés com a morte prematura de Kurt Cobain, em 1994. As bandas da época precisaram se reinventar ao longo do tempo e dizer ser Grunge não soava mais como algo inovador, mas talvez como algo instável, desequilibrado. As grandes bandas foram em frente, e alguns filhotes do movimento nasceram. Foi o caso do Silverchair, que lançou seu primeiro trabalho em 1995, um ano após o grande baque no movimento.

A banda de escola australiana, formada pelos adolescentes Daniel Johns (vocal e guitarra), Chris Joannou (baixo), Ben Gillies (bateria) e Tobbin Finnane (guitarra – o músico saiu antes da banda alcançar o sucesso) bebia com sede na fonte criada pelas bandas de Seattle, degustando ainda clássicos ingleses como Black Sabbath e Led Zeppelin. A sonoridade era bem próxima à do Nirvana, mas em alguns momentos lembrava Pearl Jam. E no fatídico ano de 1994, a banda saiu do anonimato. A rádio Triple J estava promovendo, um concurso de nível nacional chamado Pick Me: as bandas, para concorrer, teriam que enviar uma música gravada. O ganhador do concurso teria direito a execução desta música escolhida por algumas semanas, em âmbito nacional. O trio então, com o nome de Innocent Criminals, arriscou e enviou “Tomorrow” e surpreendentemente venceu outras 800 bandas. A música tocou por seis semanas e figurou nas paradas nacionais por todo esse tempo. Um prato cheio para qualquer gravadora antenada.

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E uma delas deu o bote certeiro. A Murmur (braço da Sony Music) apostou e ofereceu à banda (já rebatizado como Silverchair) a oportunidade de gravar um EP, com “Tomorrow” como faixa principal. Outras três músicas foram lançadas neste EP: “Acid Rain” (que muitos enxergam ter nascido de uma costela de “Even Flow”, do Pearl Jam), “Blind” e “Stoned“. O material ficou tão bom e circulou com tanta fluidez pelos jovens australianos que um disco full era mais que natural. Em 1995 então foi lancado Frogstomp, primeiro disco da banda. O trabalho contou com 11 músicas com timbres semelhantes e crus, referências bem evidentes (como a semelhança de “Leave Me Out” com “Sweet Leaf” do Black Sabbath), mas além de se compreender esses referenciais (a banda tinha média de 15 anos de idade), é necessário enaltecer a originalidade como um todo do trabalho, que revelou músicas tocadas pelo trio até a sua pausa (anunciada em 2011 e sem o menor indício de interrupção) como “Pure Massacre” e “Israel`s Son”. O trio, assim como as outras bandas do período, foi mudando o estilo e criando uma outra identidade, mas Frogstomp ficou marcado como um trabalho icônico.


Ouça abaixo o álbum Frogstomp na íntegra:




1 - "Israel's Son"
2 - "Tomorrow"
3 - "Faultline"
4 - "Pure Massacre"
5 - "Shade"
6 - "Leave Me Out"
7 - "Suicidal Dream"
8 - "Madman"
9 - "Undecided"
10 - "Cicada"
11 - "Findaway"

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